Saturday, November 1, 2025

Epilogo

 


O significado desta viagem vai muito além dos 11132 km percorridos. Foi uma aventura que exigiu muito planejamento, preparo físico e mental e capacidade de adaptação aos imprevistos.



Alguns dias foram longos e cansativos e os desafios foram muitos: vento, frio, neve, ripio, crise no Chile, gás lacrimogêneo e só vou nomear estes para não deixar a lista muito longa.



Por outro lado tivemos cenários magníficos, happy hours divertidos, bons vinhos e cervejas, excelente jantares e risadas genuinamente felizes.



25 dias de viagem, 17 pernoites em 15 cidades visitadas e inúmeras histórias para contar. Um mínimo de incidentes para uma viagem deste porte. O saldo da viagem é mais do que positivo.



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Não poderia faltar um agradecimento especial a todos vocês que nos acompanharam nesta expedição através do WhatsApp deixando suas mensagens de bom dia e boa viagem pela manhã e vibrando com cada etapa concluída no fim da tarde ou simplesmente acompanhando os relatos e fotos e torcendo pela equipe. Vocês foram nota 1000.



A expedição acabou e o grupo aos poucos vai voltando para a sua rotina diária.Foi mais do que uma viagem, foi uma experiência de vida. E ainda que tenha sido longa e cansativa já está deixando saudades.



Abraços a todos e até a próxima

 


Tacuarembo - Porto Alegre



São 7:02 da manhã e Bobbi ainda não apareceu na recepção do hotel. Isso faz com que Nelson vá até o quarto e quase traga o Bobbi pela orelha. Afinal de contas, são 650 km até Porto Alegre. O plano de parar em Tacuarembó seriam 600 km até a capital gaúcha. Entretanto a estrada com menor distância é muito esburacada, o que leva a uma mudança de planos e a decisão é ir por Bagé, ainda que com 50 km a mais de estrada.

 

O primeiro trecho da estrada é pela bela rota 5, ainda no Uruguai. Com uma boa e bem conservada estrada e o visual do campo, seguimos rumo ao Brasil. Depois de 160 km chegamos a Riveira para fazer a imigração.

 

O posto de imigração é estrategicamente junto ao free shop, desta forma todos elementos aproveitam a oportunidade para fazer umas compras. Mas a parada tem que ser rápida, afinal de contas ainda tem 500 km para Porto Alegre.

 

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Observando o belo Uruguai pelo retrovisor entramos em solo nacional. A qualidade da estrada ainda é boa mas o visual já é diferente: A planície quase infinita deixa de existir e agora temos montanhas e muitas árvores.Com este cenário chegamos no primeiro posto de abastecimentos, em Bagé.

 

Todos reabastecem e tomam a BR 153. A paisagem continua florestal, com Campos e serras até onde a visão pode alcançar. Os valentes motociclistas agora tem mais um desafio: a temperatura. São meio dia e está 26 graus. E ainda aumentando.

 

Assim que entramos na BR 290, mais uma parada. É a última antes de Porto Alegre. Rubens volta para a BMW e Bobbi para o pace car. A BR 290 é muito ruim: tanto pelos buracos quanto pela quantidade de caminhões. E a estrada permanece assim pelos próximos 160 km. As motos seguem na frente enquanto o pace car fica preso no pesado trânsito.

 

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Agora passamos por Eldorado do Sul e faltam 42 km para chegar em casa. 42 km. A distância de uma maratona. Mas maratona de verdade é o que estes desbravadores fizeram nos últimos 25 dias. 17 pernoites em 15 localidades diferentes. Mais de 11.000 km rodados e muita história para contar.

 

Passando pelo Guaíba já se consegue ver Porto Alegre. A longa jornada se aproxima do fim. As 16:34 o pace car, último veículo a chegar, estaciona na porta de casa. Está concluída a expedição Ushuaia.

 

Hoje a noite tem o churrasco de comemoração. Com certeza várias histórias serão contadas mas a experiência desses aventureiros, essas serão lembradas para sempre.

 



 

Mendonza - Marco Juarez

 


Readaptar, readaptar, readaptar.... este é o mantra desta viagem. O plano inicial previa ir a Córdoba, depois Uruguaiana e finalmente Porto Alegre. No entanto, a etapa de Uruguaiana a Porto Alegre seriam 700km. Com a intenção de chegar mais cedo em Porto Alegre, resolvemos rever a rota buscando rodar mais nos 2 primeiros dias e reduzindo no terceiro. Depois de várias simulações chegamos no seguinte intinerário: Mendonza - Marco Juarez - Tacarembó- Porto Alegre. As distâncias para cada dia serão 748, 679, 608 respectivamente.Aumentou-se um pouco a distância nos 2 primeiros dias ( por volta e 50 km) e se reduziu o último,

 

Plano refeito é hora de voltar para a estrada. A saída é marcada para as 7:30. Hoje mais uma mudança na tripulação : Fernanda volta para o Rio de avião. E os outros elementos seguem a jornada.

 

O primeiro trecho é pela highway. Vazia e tranquila. Tão tranquila que Bobbi vem dormindo no carro. O visual é de muito campo, porém com mais gado do que antes. Aqui já é o começo da região dos Pampas.Após 200 km uma rápida parada de abastecimento e seguimos pela auto estrada.

 

O visual, apesar de belo ,não muda muito. A temperatura começa a subir e já temos 22 graus. Na segunda parada. Bobbi, o dorminhoco, assume a BMW.

 

Assim que saímos do posto, a estrada muda para uma de menor, de mão simples. O tipo de campo também muda, entretanto a pecuária continua sendo a atividade predominante.

 

Ao sair da terceira parada, Bobbi vai testar a HD. A saída tudo parece está normal. Porém, uns 15 km após o posto de gasolina um carro emparelha com o pace car. Este avisa que o “Guarda Barros” da carreta se soltou a alguns km atrás. E o que seria o guarda barros? Em bom português pára-lamas.O pace car retorna e consegue encontrar o paralamas. A peça rachou. Como não estamos em Perito Moreno ( onde soldamos a pedaleira da BM) colocamos a peça na mala e seguimos viagem.

 

A rota 11 é uma estrada de mão simples bucólica. No meio da estrada, literalmente no meio do nada, uma parada policial. O elemento no banco de trás não usava cinto de segurança, o que nos vale uma notificação policial.

 

A viagem continua pela estrada secundária. Apesar do longo tempo de viagem, a paisagem continua variando entre Campos com gado e plantações. E desta forma chegamos a Marcos Juarez. Um dia longo e cansativo mas em contrapartida o mais longo da volta Mendonza-POA. Agora são apenas 2 dias. E amanhã é Tacuarembo.



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Los Andes - Mendonza

 


A apreensão pairava no ar. Ontem a noite, durante o toque de recolher, enquanto jantávamos os sanduíches com cervejas que conseguimos comprar, sentimos o cheiro de pneus queimando. Em seguida, tiros e minutos depois o cheiro de algo tóxico: Era gás lacrimogêneo que a polícia jogava contra os manifestantes. A situação estava complicada no Chile.

 

Não seria de bom tom sair antes das 8, uma vez que este era o horário que terminava o toque de recolher. Estávamos a apenas 50 km da fronteira mas informações apontavam para possíveis bloqueios na estrada. Decidimos partir e ver como estava a situação.

 

Inicialmente a estrada parecia sem problemas, mas em menos de 15 km começamos a passar por vilarejos onde se via resíduos de pneus queimados. Mais à frente, o trânsito parou: o exército estava na rua retirando manifestantes e barricadas. Quando passamos ainda haviam pneus pegando fogo.

 

Logo em seguida começamos a subir a cordilheira. Vendo tráfego descendo concluímos que a estrada não estava fechada e assim começamos a relaxar e curtir a paisagem. A paisagem é de tirar o fôlego. Literalmente, pois nas curvas dos caracoles chegamos a 3200 metros de altitudes. No topo, chegamos na imigração com a Argentina.

 



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Imigração pela América do Sul é sempre igual: muita burocracia, muito papelito para nada. No Chile, por não fazer parte do mercosul, pior ainda. Gastamos praticamente 1 hora para cruzar a fronteira.

 

Já no lado argentino começamos a descida dos Andes. Neste trecho Fernanda vai de moto, na garupa de Nelson. A pista é sensivelmente pior mas com um visual tão deslumbrante quanto do lado chileno. A grandiosidade e imponência da montanha impressionam. O visual é tão bonito que não se sente os km passarem.

 

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Uma rápida abastecida em Uspalata e seguimos rumo a Mendonza. Neste trecho começam a aparecer as vinícolas. E são inúmeras: com suas magníficas entradas e parreirais a vista a viagem continua e quando se percebe, já estamos em Mendonza.

 

A entrada no Chile com todos os problemas de câmbio, mal funcionamento dos cartões de crédito, pedágios, e principalmente a situação política do país, foi decepcionante. Entretanto a beleza e magnitude do cruzamento dos Andes fez com que a ida ao Chile tenha valido a pena. Agora é um dia de descanso em Mendonza e depois rumo a Porto Alegre. Faltam 2000 km agora.




Los Angeles - Los Andes

 


O horário previsto de saída era 8 da manhã, isto porque o café começava às 7:30. Entretanto, as 8 a movimentação de saída ainda é tímida, o que faz Nelson, com a moto já ligada, parar no estacionamento e cruzar os braços mostrando sua insatisfação. Hoje a etapa são “ apenas “ 590 km mas o Chile está em estado de guerra e Santiago, por onde devemos passar é um dos locais mais atingidos.



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O plano original previa um pernoite em Santiago. Porém, a alguns dias atrás, antes das manifestações, já tínhamos decidido passar de Santiago e parar em Los Andes, isso devido a logística de conseguir estacionar em cidade maiores. Os protestos, que acontecem não apenas em Santiago, só serviram para reforçar a nossa intenção.

 

Saímos em direção ao posto de gasolina, para abastecer e sacar dinheiro, já que não sabemos se vai haver combustível e assim como ontem tem muitos pedágios pelo caminho. Mantemos a mesma combinação de ontem: ao chegar no pedágio, o pace car ultrapassa as motos e paga para todos.

 



O começo do dia, com temperatura de 15 graus, nublado e uma highway muitíssimo bem conservada, a viagem chega a ser monótona. Depois de abastecer e tomar um café a viagem continua tranquila, tendo como único incidente a lanterna da BMW soltou-se ( por sorte ficou pendurada pelo fio) e tivemos que parar para fixar a lanterna.



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Ao aproximarmos de Santiago, observamos vários postos de gasolina com fila. Paramos em posto ( com fila) uns 50 km antes da cidade. A ideia era ter autonomia para chegar a Los Andes.

 

Continuamos na highway rota 5. Entretanto, ao entrarmos na área da grande Santiago, os pedágios passam a ser exclusivamente por tag, sem a opção de pagamento manual. Não tínhamos o tag pois em nenhum lugar havia a esta informação. Na dúvida sobre o que fazer, saímos da highway para discutir nossas opções.

 

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Entrar no centro de Santiago não era uma opção. Continuar na rota 5 era passível de multa. Perguntamos para um morador e este nos disse que poderíamos pegar a Gran Via, avenida que cruza Santiago de sul a norte, sem entrar na cidade. Parecia uma boa opção.

 

O problema é que as manifestações já tinham se espalhado muito além do centro. Passamos por vários cruzamentos onde pneus haviam sido queimados ( provavelmente em protestos ontem) e muitas lojas haviam sido depredadas.

 

Chegamos em um ponto onde a situação estava tensa. A manifestação estava na rua e os vândalos estavam quebrando e saqueando lojas. Vendo a deterioração das condições , tomamos a decisão de fazer meia-volta e retornar para a highway. A manobra de retorno foi repentina, o que dificultou a manobra das motos. Ainda assim, todos conseguiram fazer a manobra e continuar seguindo para a highway.

 

Uma nova decisão foi tomada: voltar para a highway e esquecer os pedágios. Se tomarmos multa, pagamos. O país está em estado de sítio e a segurança dos participantes da expedição é muito mais importante do que uma possível multa.

 

Na ruta 5, a viagem volta ao normal. Em alguns pontos vemos sinais da manifestação ocorrida nos últimos dias porém a estrada não tem nenhum bloqueio.

 

Los Andes fica no começo da cordilheira. Para chegar passamos uma pequena serra e um túnel. Assim que entramos na cidade, encontramos um posto de gasolina com fila e as motos param para abastecer.

 

Os carros continuam para o hotel e ao chegarem se deparam com uma cidade que parece fantasma: Praticamente todo o comércio fechado em função dos protestos. Tem apenas um bar na esquina do hotel aberto. Vamos ao bar e compramos sanduíches e cervejas para levar para o hotel pois são 6:20 da tarde e daqui a 40 minutos tem o toque de recolher.

 

Apesar da boa estrada e estrutura do país, a informação de pedágio é medieval. Isto somado ao estado de sítio fez esta etapa que seria simples se tornar a mais tensa até agora. As motos estão abastecidas e os carros também. Amanhã é dia de cruzar a cordilheira dos andes, rumo a Mendonza.



 


Esquel - Bariloche

 


Para quem vem andando 600/700 km por dia, uma etapa de 284 km parece volta na quadra. Com o tempo de viagem previsto para menos de 4 horas, decide-se por uma saída mais tarde, por volta das 10 da manhã. Mas motociclista quer rodar. As 9:30 a movimentação de saída é intensa e 10 minutos mais tarde já estão todas alinhados na frente do hotel. Após o abastecimento ainda em Esquel e a dificuldade da BMW se entender com o calibrador de pneu, partimos para Bariloche.

Os primeiros km são a subida de uma serra com uma paisagem incrível: montanhas, neve, floresta. Realmente sensacional. A beleza natural só é ofuscada pela qualidade da estrada: novamente bastante buracos. Entretanto após 40 km acabam se os buracos e aí é só alegria: Estrada boa, temperatura de 12 graus, sem vento, visual espetacular e muitas curvas. Aqui é o genuíno ride.



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Depois de 160 km, paramos para abastecer em El Bolsón. Na volta a estrada, mais serra e belas paisagens. Na descida da serra de Bariloche margeamos o belíssimo lago Guitiérrez antes de entrar na cidade. Depois de 4 horas, mais uma etapa está vencida.

Foi uma das menores etapas da viagem até aqui. Porém, foi a etapa com mais beleza natural e paisagens deslumbrantes ( na minha opinião). Amanhã estaremos descansando em Bariloche e amanhã à noite mais um integrante se junta ao grupo: Bobbi chega direto dos EUA para seguir na expedição.

 

 


Perito Moreno - Esquel

 


Não são nem 7 da manhã e Nelson e Dário olham a moto na carreta. Pensam em soluções de como consertar a tal pedaleira. Inúmeras ideias já foram pensadas, até a ideia bagual de colocar uma cela e ir com o pé no estribo já foi cogitada. Dentre tantas possibilidades decide-se por uma solução mais definitiva: fazer a solda.



Inicia-se então a jornada na cidade atrás de soldador. Cidade pequena o tempo passa diferente: nada acontece,então não se tem pressa para nada. A cidade começa a se movimentar as 9 da manhã. Em uma oficina mecânica aberta conseguimos que alguém acorde um soldador.



Ontem quando chegamos na cidade, a localização do hotel no Waze estava errada. Perguntamos para alguém na rua onde era o hotel e este nos disse para segui-lo que ele nos indicaria aonde era o hotel. Quem era o soldador? Esse mesmo cara que tinha nos guiado até o hotel. A cidade é pequena mesmo.



O soldador diz que é possível fazer a solda. Numa conta rápida vimos que para cobrir os 538 km até Esquel levaríamos 6 horas sem considerar as paradas. Em um cálculo pessimista com 2 paradas o tempo total seria de 7 horas. Colocamos como horário limite de saída 11 horas. Só esquecemos de combinar com o soldador.



Lembra aquela história do tempo passar diferente: Então. Aquela solda que não levaria mais do que meia hora levou mais de 3. Conseguimos pegar a pedaleira as 12:20. O processo de instalação da pedaleira parecia pit stop de fórmula 1: Nelson já estava ajoelhado com as chaves Allen preparadas. Guilherme se posicionava para segurar a peça na posição em que deveria ser fixada. Rubens mais do que pronto para criticar o serviço. Após a chegada da peça em menos de 10 minutos estávamos na estrada. Mais de 1 hora e 30 além do previsto.



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A ideia é manter uma boa média de velocidade. Nos primeiros kms é fácil pois a estrada é boa e vazia. A primeira parada é em Rio Mayo, a 130 km de Perito Moreno. A parada é no estilo pit stop. Fuel and go. 13 minutos cronometrados de parada. Uns 80 km depois da parada a qualidade da estrada piora bastante.



As estradas na Argentina são na sua maioria muito boas. Entretanto, alguns trechos de 40 a 50 km são completamente esburacados. Nesses trechos é difícil manter uma velocidade, especialmente para o pace car pois as motos por vezes conseguem desviar dos buracos com mais facilidade.



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Após esse trecho de 40 km a estrada volta a melhorar e a média de velocidade aumenta novamente. O problema é que com a distância entre os postos de 230 km e com a velocidade aumentando para 120 km/h o consumo da Deluxe aumenta muito. Com isso, nos últimos 25 km antes do abastecimento em Gobernador Costa a velocidade da Deluxe reduz bastante para chegar no posto. Apesar disso, a média geral foi boa e assim Nelson permite até que se tome um café.



Com a distância de 180 km para Esquel e uma bela paisagem de montanhas, chegamos em Esquel as 18:30. As 2 paradas somadas não levaram mais de 35 minutos. E com o por do sol as 8 da noite chegamos ainda com claridade. Agora é achar um lugar para jantar e depois dormir porque amanhã tem mais. Rumo a Bariloche.



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Rio Galegos - Calafate

 


Depois de ir ao Ushuaia de carro e passar 2 dias lá, os motociclistas não viam a hora de reencontrar suas máquinas. Assim que chegamos em Rio Galegos o primeiro ato foi ir à garagem onde estavam as motos e trazê-las para o hotel, preparando se para a saída as 6:30 no dia seguinte. O cedo horário tinha um motivo: a previsão do vento. No sábado as 6:30, todos estão vestindo as suas roupas de batalha. A satisfação de voltar a estrada de moto é nítida. E assim, voltamos a estrada. Calafate está a apenas 300 km de distância. Desta vez as motos contam com uma participante a mais: Sibelle está na garupa do GUI.



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O dia é absolutamente limpo e a temperatura é de zero graus. O vento, aquele prometido, está forte o que faz a sensação térmica despencar. A estrada é boa e vazia. A primeira ( e única ) parada programada é em Esperanza, um posto de gasolina que fica a 130 km de Calafate. Apesar dos fortes ventos com rajada previstos o grande desafio dos motociclistas foi outro: o frio. Foi unânime a opinião de que esta foi a etapa mais gelada até agora. Nesta parada tivemos também uma emergência: não mecânica mas intestinal. Um dos elementos chegou tão apertado que quase não deu tempo de chegar ao banheiro, mas no final, deu tudo certo.

No posto, Sibelle veio para o carro. Estava muito frio para ficar na garupa. Entretanto vale aqui a menção que foi a primeira garupa da viagem e logo nos 170 km mais frios e ainda com bastante vento. Parabéns especial para Sibelle por sua bravura.Uns 20 kms após sair do posto, um carro emparelhou com o pace car e a mulher no banco do carona apontava para um galão de gasolina: era o nosso. O galão se soltou e ninguém percebeu. Por sorte o carro atrás do nosso viu, recolheu o galão e ainda correu atrás do carro para devolver.



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Nessa segunda etapa subimos uma longa serra chegando ao topo de 900 metros. Na serra o vento aumentou mas não comparado ao dia entre Caleta Olívia e Rio Galegos. A recompensa veio na descida da serra: Um belo visual panorâmico numa deliciosa estrada cheia de curvas. E o melhor: o vento começou a dar uma trégua.



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As 11:40 da manhã as motos encostavam no hotel. Foi o dia que se se chegou mais cedo. Celena e Lizete já estavam no hotel e se juntaram ao grupo que só melhora a cada dia. Agora serão 2 dias de descanso em Calafate antes de continuar a jornada.



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Ushuaia - Rio Gallegos

 


Guilherme aparece no café sorrindo. E não é pela Sibelle. A neve caindo lá fora, as estradas cobertas de neve e a previsão da continuação da neve pelos próximos 2 dias são a confirmação de que alugar um carro para vir de Rio Galegos para Ushuaia foi completamente acertada.



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Os carros tem as seguintes tripulações: no pace car Fernando, Clarissa, Nelson e Dario. No carro alugado Guilherme, Sibelle, Rubens e Fernanda. Ainda na cidade de Ushuaia o carro alugado patina em uma subida e como alternativa para vencer a neve tem que subir a lomba de marcha ré. Se tinha neve na cidade,tinha muito mais na serra. Nevou tanto nos 2 últimos dias que tem pontos que mal da para definir o que é estrada e o que não é. Entretanto, por causa da neve, a estrada fica ainda mais bonita. Passados a serra, quase na cidade de Rio Grande, a neve simplesmente some como num passe de mágica e a viagem volta a ter o cenário normal.



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A primeira parada é em um posto de gasolina na fronteira da Argentina com o Chile. Depois de errar a imigração na ida, aprendemos a lição para a volta. Entramos na imigração e......... está errada. Entramos na imigração para entrar na Argentina. Do outro lado da rua ( na nossa mão ) era a imigração para sair da Argentina. Após a imigração e mais carimbo no passaporte saímos da Argentina. 10 km a frente, fazemos a entrada no Chile. E mais carimbo. Um possível contratempo que levamos em consideração é a balsa que atravessa o estreito de Magalhães. Porém, assim como na ida, tivemos sorte e menos de 5 minutos depois de chegar no ponto de embarque a balsa chegou.Essa balsa, diferente da ida, tinha uma cabine grande para espera e um bar. Depois de 15 minutos de viagem chegamos no porto e seguimos viagem pelo Chile. Na imigração conseguimos a proeza de parar na imigração errada de novo. E assim mantivemos nossa média de 100% de erro nas aduanas. A viagem segue tranquila porém os últimos 30 km a estrada é bastante esburacada, diferente da grande maioria do percurso. Chegamos em Rio Galegos por volta das 5 da tarde e os motociclistas foram buscar suas máquinas. Afinal de contas, amanhã é Calafate na proa e a previsão é de vento.




Epilogo

  O significado desta viagem vai muito além dos 11132 km percorridos. Foi uma aventura que exigiu muito planejamento, preparo físico e menta...