Wednesday, October 31, 2018

Onde Tudo Começou

 


Toda grande Aventura começa de uma simples ideia. Esta não foi uma exceção.

Maio de 2018. Uma quarta feira chuvosa, um happy hour e um comentário despretensioso feito por Gui: “ Estou pensando nas férias do ano que vem (2019) ir ao Ushuaia de moto”. Este comentário fez Nelson largar seu copo de cerveja, se acomodar na poltrona e dizer: “Vamos”, antes mesmo de ser convidado. E este foi o ponto de partida para a aventura que se iniciou 17 meses depois daquele dia.

Como se planeja uma viagem deste tamanho? A resposta vai variar de acordo com quem você pergunta: Gui faria um cálculo de rodar uma quilometragem razoável por dia. Já Nelson falaria : “ Puff!! Mole!!” – só rodar 1000 km por dia e em 3 dias chegamos lá. E este eram os 2 organizadores da viagem. E trate isso como uma sorte, pois caso Rubens fizesse parte desta etapa de planejamento o importante seria saber quantos pastéis tem ao longo deste 3000 km.

Ainda que com divergências o projeto começava a ganhar corpo. A definição de trechos, participantes e datas parecem ser um bom início.





Os candidatos são convidados. Os normais são descartados logo de início. Entre os candidatos restantes considera-se aqueles que tem moto e estão dispostos a uma aventura deste quilate. Ou então aqueles que tem moto e querem percorrer apenas um trecho da viagem. Ou ainda aqueles que não tem moto e que nem sabem do que se trata. Bem, qualquer um que fizesse parte dos contatos e tivesse um WhatsApp estava convidado.



E para fazer parecer que não era apenas uma ideia , Nelson resolve fazer um churrasco de planejamento da viagem. É bem provável que fosse apenas uma desculpa atrás de um churrasco. Ainda assim, 24 de maio de 2019 o churrasco acontece com os primeiros pretendentes. Fizeram parte deste churrasco Nelson, GUI, Março Aurélio e Provenzano e Dário.





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Nesse momento tinha-se uma data ( 1 de outubro), um esboço de percurso e os primeiros candidatos. E juntar um monte de gente para uma viagem de mais de 20 dias significa um problema ou melhor dizendo, vários problemas: cada um tem sua limitada disponibilidade de tempo, e assim, muitos se convocam para fazer a viagem. Pelo menos um trecho. E isso causa mais problemas logísticos.



Mas não tem problema. o responsável logístico é Nelson. Vendo aquele caos ele se vira e usa sua expressão preferida. “ É mole”. Pra os que não o conhecem pode saber que ao falar essas palavras qualquer coisa pode acontecer. Mas com certeza não vai ser mole.



O grupo até então está assim: Nelson e GUI, como mentores de tudo, programados para fazer a volta completa. Rubens se candidata à fazer tudo também. Fernando quer participar mas tem 2 problemas: suas férias só começam dia 4. E ele não é muito do grupo as motos. Isso para quebrar o galho dele e não falar que não gosta nada de motos. Então fica marcado que caso não consiga folga para chegar no dia 1, Clarissa, sua magnífica esposa, vai fazer o percurso de carro até algum ponto onde ele consiga chegar de avião, caso não seja possível chegar em Porto Alegre dia 1.



No churrasco, Dário acena com a possibilidade de fazer todo o percurso também. Com a caravana definindo-se, é hora de mergulhar nos mapas e começar a montar o percurso. Algumas etapas são quase instintivas de se planejar. Isso porque alguns trechos simplesmente não tem cidades possíveis de se pernoitar em um raio de 600km, para alegria de Nelson e desespero de GUI. Outros pontos bastante pesquisados são as condições climáticas, principalmente em função dos ventos no sul da Argentina, e a quantidade ( pequena) de postos de combustíveis ao longo do percurso.

Para combater o vento, em conversa com quem já tinha percorrido a rota anteriormente, a melhor opção era sair cedo quando os ventos ainda eram menos fortes. Para a escassez de abastecimento ficou decidido que o único carro da expedição, o Jeep Cherokke, vulgo pace car, iria com o reboque, para o caso de pane de alguma moto e um galão de 20 litros de combustível, just in case.



O rascunho inicial ficou assim:



Dia 1 poa- livramento 493 km

Dia 2 livramento -lujan 739 km

( em lujan tem o museo do transporte com o aviao Pacífico que foi o irmão do Atlântico da RG)

Dia 3 lujan-Bahia Blanca 642 km

Dia 4 off

Dia 5 Bahia Blanca -puerto madrin 716 km

Dia 6- Puerto madryn - calete Olívia 520 km

Dia 7 off

Dia 8 calete Olívia - Rio Gallegos -700 km

Dia 9 Rio gallegos- Ushuaia 587 km

Dia 10 e 11 off

Dia 12 Ushuaia -Rio Gallegos 587 km

Dia 13 Rio gallegos- calafate 305 km

Dia 14 e 15 off

Dia 16 calafate - cmte Luís Piedra buena 541 km

Dia 17 cmte Luís piedra buena - Sarmiento 687 km

Dia 18 Sarmiento -bariloche 452 km

Dia 19 off



Depois continuarei o programa. Agora vou tomar uma caipira de maracujá adios







E assim os meses de junho e julho passaram com caipirinhas de maracujá, algumas rodagens curtas que serviam de warm-up ou desculpa de warm-up para a viagem e a inclusão do americano que é brasileiro ou do brasileiro que é americano Bobbi. Bobbi mora nos EUA e também estava programando fazer algum trecho da viagem. No fim de julho um outro churrasco onde se chegou ao projeto definitivo. Ainda que não tivesse nada de definitivo. O projeto ficou assim:





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Com a data definida e se aproximando todos os pretendentes começam a estudar blogs, youtubes e qualquer outro material de outros aventureiros que já haviam percorrido este trajeto. A crescente ansiedade é abalada com uma baixa do grupo; Provenzano não consegue férias no mês de outubro e tem que se despedir da aventura. Grande perda.

Mas o show tem que continuar. Agosto é o mês de buscar o reboque em xxxx, preparar a confecção das camisas ( Sim, porque um grupo deste não iria estar completo sem um uniforme) pegar as cartas verdes e o seguro para o Chile. Alguns hotéis tem suas reservas feitas. Outros decide-se que vai ser feito na hora, só para ter um pouco mais de emoção. Rubens está um pouco preocupado porque muito se fala do percurso e pouco de pastel. Mas a parte mais crítica do planejamento ainda estar por vir: Decidir a logística de quem entra em uma parte do percurso e sai em outra.



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O planejamento final ficou assim:

Dia 1 de outubro – Saem confirmados de POA: Cherokee com Clarissa ( Fernando à confirmar). Em Ushuaia entram no Jeep Fernanda e Sibele.

Em Calafate sai Sibele

Seguem para Bariloche Fernando, Clarissa e Fernanda

Em Bariloche entram Ana, Jules e Bob

Aí da overbooking então teremos que alugar um carro.

Fernando dependendo das férias poderá desembarcar em Santiago.

Em Mendonza saem Ana, Jules e Fernanda e talvez Fernando

De Mendonza a POA Clarissa e Runelson ( Rubens ou Nelson)

Nas motos Gui, Dario, Rubens, Nelson (e Bob)



Ou seja tudo perfeitamente organizado para não funcionar. Mas do jeito que a gente gosta. Ou não. Mas neste planejamento fica definido que vai se precisar alugar um carro. Esse carro alugado seria necessário de Bariloche até Mendonza. Bobbi inclusive levanta um ponto muito importante: Só um carro iria faltar espaço para carregar cerveja. Rubens complementa essa a falta de espaço para o scotch e o vinho. Agora é certo a necessidade de uma nova viatura.



Agora estamos chegando no fim de agosto. Algumas questões são levantadas em relação ao percurso. O problema maior gira em torno da etapa saindo de Calafate. O percurso escolhido é mais curto, porém com rípio. Para os que aqui chegaram sem conhecer tal termo, rípio é uma estrada de terra cheia de pedras soltas. Funciona para motociclistas como kriptonita para o super-homem. Uma opção apresentada

é retornar a rio galegos. Entretanto são 200 km a mais. Algo a se pensar. Enquanto isso....... 1 month to go.

Carro de aluguel resolvido, alguns hotéis reservados, cartas na mão e detalhes como levar 2 chaves vão sendo lembrados no grupo de WhatsApp. A condição climática também vai sendo monitorada constatemente. No começo de setembro Rio Gallegos ainda tinha temperatura de -6 C.

As alternativas de trajeto continuam aparecendo. Essa são algumas delas:



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Rubens, como não poderia deixar de ser, começa a preparar a parte gastronômica, encontrando restaurantes ao longo do trajeto. Afinal de contas, o principal objetivo de uma viagem destas é este: comer e beber.

Faltando 10 dias para a partida, Bahia Blanca tinha temperatura de 10 graus, Bariloche 5 graus e Rio Gallegos 3. Mas Nelson, aquele do “mole”, garante que na viagem vai estar quase verão.

Faltando 1 semana, o projeto está pronto. Fernando confirma que não vai conseguir chegar em Porto Alegre dia 1 e vai encontrar o grupo em Trelew.



Agora é só comer uns churrasco para segurar a ansiedade da última semana e esperar o grande dia. Tudo certo e confirmado. O que poderia dar de errado? Tudo !!!! E por isso que uma viagem assim é tão divertida. Mas agora não tem mais volta. Dia 1 está ali. Que comecem a aquecer o óleo dos motores.





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Epilogo

  O significado desta viagem vai muito além dos 11132 km percorridos. Foi uma aventura que exigiu muito planejamento, preparo físico e menta...