Toda
grande Aventura começa de uma simples ideia. Esta não foi uma exceção.
Maio
de 2018. Uma quarta feira chuvosa, um happy hour e um comentário despretensioso
feito por Gui: “ Estou pensando nas férias do ano que vem (2019) ir ao Ushuaia
de moto”. Este comentário fez Nelson largar seu copo de cerveja, se acomodar na
poltrona e dizer: “Vamos”, antes mesmo de ser convidado. E este foi o ponto de
partida para a aventura que se iniciou 17 meses depois daquele dia.
Como
se planeja uma viagem deste tamanho? A resposta vai variar de acordo com quem
você pergunta: Gui faria um cálculo de rodar uma quilometragem razoável por
dia. Já Nelson falaria : “ Puff!! Mole!!” – só rodar 1000 km por dia e em 3
dias chegamos lá. E este eram os 2 organizadores da viagem. E trate isso como
uma sorte, pois caso Rubens fizesse parte desta etapa de planejamento o
importante seria saber quantos pastéis tem ao longo deste 3000 km.
Ainda
que com divergências o projeto começava a ganhar corpo. A definição de trechos,
participantes e datas parecem ser um bom início.
Os
candidatos são convidados. Os normais são descartados logo de início. Entre os
candidatos restantes considera-se aqueles que tem moto e estão dispostos a uma
aventura deste quilate. Ou então aqueles que tem moto e querem percorrer apenas
um trecho da viagem. Ou ainda aqueles que não tem moto e que nem sabem do que
se trata. Bem, qualquer um que fizesse parte dos contatos e tivesse um WhatsApp
estava convidado.
E
para fazer parecer que não era apenas uma ideia , Nelson resolve fazer um
churrasco de planejamento da viagem. É bem provável que fosse apenas uma
desculpa atrás de um churrasco. Ainda assim, 24 de maio de 2019 o churrasco
acontece com os primeiros pretendentes. Fizeram parte deste churrasco Nelson,
GUI, Março Aurélio e Provenzano e Dário.
Nesse
momento tinha-se uma data ( 1 de outubro), um esboço de percurso e os primeiros
candidatos. E juntar um monte de gente para uma viagem de mais de 20 dias
significa um problema ou melhor dizendo, vários problemas: cada um tem sua
limitada disponibilidade de tempo, e assim, muitos se convocam para fazer a
viagem. Pelo menos um trecho. E isso causa mais problemas logísticos.
Mas
não tem problema. o responsável logístico é Nelson. Vendo aquele caos ele se
vira e usa sua expressão preferida. “ É mole”. Pra os que não o conhecem pode
saber que ao falar essas palavras qualquer coisa pode acontecer. Mas com
certeza não vai ser mole.
O
grupo até então está assim: Nelson e GUI, como mentores de tudo, programados
para fazer a volta completa. Rubens se candidata à fazer tudo também. Fernando
quer participar mas tem 2 problemas: suas férias só começam dia 4. E ele não é
muito do grupo as motos. Isso para quebrar o galho dele e não falar que não
gosta nada de motos. Então fica marcado que caso não consiga folga para chegar
no dia 1, Clarissa, sua magnífica esposa, vai fazer o percurso de carro até
algum ponto onde ele consiga chegar de avião, caso não seja possível chegar em
Porto Alegre dia 1.
No
churrasco, Dário acena com a possibilidade de fazer todo o percurso também. Com
a caravana definindo-se, é hora de mergulhar nos mapas e começar a montar o
percurso. Algumas etapas são quase instintivas de se planejar. Isso porque
alguns trechos simplesmente não tem cidades possíveis de se pernoitar em um
raio de 600km, para alegria de Nelson e desespero de GUI. Outros pontos
bastante pesquisados são as condições climáticas, principalmente em função dos
ventos no sul da Argentina, e a quantidade ( pequena) de postos de combustíveis
ao longo do percurso.
Para
combater o vento, em conversa com quem já tinha percorrido a rota
anteriormente, a melhor opção era sair cedo quando os ventos ainda eram menos
fortes. Para a escassez de abastecimento ficou decidido que o único carro da
expedição, o Jeep Cherokke, vulgo pace car, iria com o reboque, para o caso de
pane de alguma moto e um galão de 20 litros de combustível, just in case.
O
rascunho inicial ficou assim:
Dia
1 poa- livramento 493 km
Dia
2 livramento -lujan 739 km
( em
lujan tem o museo do transporte com o aviao Pacífico que foi o irmão do
Atlântico da RG)
Dia
3 lujan-Bahia Blanca 642 km
Dia
4 off
Dia
5 Bahia Blanca -puerto madrin 716 km
Dia
6- Puerto madryn - calete Olívia 520 km
Dia
7 off
Dia
8 calete Olívia - Rio Gallegos -700 km
Dia
9 Rio gallegos- Ushuaia 587 km
Dia
10 e 11 off
Dia
12 Ushuaia -Rio Gallegos 587 km
Dia
13 Rio gallegos- calafate 305 km
Dia
14 e 15 off
Dia
16 calafate - cmte Luís Piedra buena 541 km
Dia
17 cmte Luís piedra buena - Sarmiento 687 km
Dia
18 Sarmiento -bariloche 452 km
Dia
19 off
Depois
continuarei o programa. Agora vou tomar uma caipira de maracujá adios
E
assim os meses de junho e julho passaram com caipirinhas de maracujá, algumas
rodagens curtas que serviam de warm-up ou desculpa de warm-up para a viagem e a
inclusão do americano que é brasileiro ou do brasileiro que é americano Bobbi.
Bobbi mora nos EUA e também estava programando fazer algum trecho da viagem. No
fim de julho um outro churrasco onde se chegou ao projeto definitivo. Ainda que
não tivesse nada de definitivo. O projeto ficou assim:
Com
a data definida e se aproximando todos os pretendentes começam a estudar blogs,
youtubes e qualquer outro material de outros aventureiros que já haviam
percorrido este trajeto. A crescente ansiedade é abalada com uma baixa do
grupo; Provenzano não consegue férias no mês de outubro e tem que se despedir
da aventura. Grande perda.
Mas
o show tem que continuar. Agosto é o mês de buscar o reboque em xxxx, preparar
a confecção das camisas ( Sim, porque um grupo deste não iria estar completo
sem um uniforme) pegar as cartas verdes e o seguro para o Chile. Alguns hotéis
tem suas reservas feitas. Outros decide-se que vai ser feito na hora, só para
ter um pouco mais de emoção. Rubens está um pouco preocupado porque muito se
fala do percurso e pouco de pastel. Mas a parte mais crítica do planejamento
ainda estar por vir: Decidir a logística de quem entra em uma parte do percurso
e sai em outra.
O
planejamento final ficou assim:
Dia
1 de outubro – Saem confirmados de POA: Cherokee com Clarissa ( Fernando à
confirmar). Em Ushuaia entram no Jeep Fernanda e Sibele.
Em
Calafate sai Sibele
Seguem
para Bariloche Fernando, Clarissa e Fernanda
Em
Bariloche entram Ana, Jules e Bob
Aí
da overbooking então teremos que alugar um carro.
Fernando
dependendo das férias poderá desembarcar em Santiago.
Em
Mendonza saem Ana, Jules e Fernanda e talvez Fernando
De
Mendonza a POA Clarissa e Runelson ( Rubens ou Nelson)
Nas
motos Gui, Dario, Rubens, Nelson (e Bob)
Ou
seja tudo perfeitamente organizado para não funcionar. Mas do jeito que a gente
gosta. Ou não. Mas neste planejamento fica definido que vai se precisar alugar
um carro. Esse carro alugado seria necessário de Bariloche até Mendonza. Bobbi
inclusive levanta um ponto muito importante: Só um carro iria faltar espaço
para carregar cerveja. Rubens complementa essa a falta de espaço para o scotch
e o vinho. Agora é certo a necessidade de uma nova viatura.
Agora
estamos chegando no fim de agosto. Algumas questões são levantadas em relação
ao percurso. O problema maior gira em torno da etapa saindo de Calafate. O
percurso escolhido é mais curto, porém com rípio. Para os que aqui chegaram sem
conhecer tal termo, rípio é uma estrada de terra cheia de pedras soltas.
Funciona para motociclistas como kriptonita para o super-homem. Uma opção
apresentada
é
retornar a rio galegos. Entretanto são 200 km a mais. Algo a se pensar.
Enquanto isso....... 1 month to go.
Carro
de aluguel resolvido, alguns hotéis reservados, cartas na mão e detalhes como
levar 2 chaves vão sendo lembrados no grupo de WhatsApp. A condição climática
também vai sendo monitorada constatemente. No começo de setembro Rio Gallegos
ainda tinha temperatura de -6 C.
As
alternativas de trajeto continuam aparecendo. Essa são algumas delas:
Rubens,
como não poderia deixar de ser, começa a preparar a parte gastronômica,
encontrando restaurantes ao longo do trajeto. Afinal de contas, o principal
objetivo de uma viagem destas é este: comer e beber.
Faltando
10 dias para a partida, Bahia Blanca tinha temperatura de 10 graus, Bariloche 5
graus e Rio Gallegos 3. Mas Nelson, aquele do “mole”, garante que na viagem vai
estar quase verão.
Faltando
1 semana, o projeto está pronto. Fernando confirma que não vai conseguir chegar
em Porto Alegre dia 1 e vai encontrar o grupo em Trelew.
Agora
é só comer uns churrasco para segurar a ansiedade da última semana e esperar o
grande dia. Tudo certo e confirmado. O que poderia dar de errado? Tudo !!!! E
por isso que uma viagem assim é tão divertida. Mas agora não tem mais volta.
Dia 1 está ali. Que comecem a aquecer o óleo dos motores.
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